Lóris Isatto e o Grêmio Náutico União

Lóris Isatto foi vice-presidente do Grêmio Náutico União de 1975 a 31/05/1977, sendo presidente Rubem José Kappel.

Na eleição posterior, de 1977 até 31/05/1979, Lóris José Isatto foi presidente, sendo Mário Bento Hofmeister vice-presidente.

Nesse período, participou do Conselho Superior da Diretoria da Federação de Remo do Rio Grande do Sul – REMOSUL – como refere o livro de Carlos B. Hofmeister, reproduzido abaixo:

Reprodução do livro "Pequena História do Remo Gaúcho", mencionando a participação de Lóris Isatto no Conselho Superior da REMOSUL

Lóris continuou ligado ao Grêmio Náutico União, presidindo o Conselho Deliberativo em 1981, como documentado pela menção feita em sessão do Congresso Nacional em abril daquele ano, por ocasião dos 75 anos do União (transcrição abaixo da reprodução do Diário):

Reprodução do Diário do Congresso Nacional, menção aos 75 anos do Grêmio Náutico União

O SR. VICTOR FACCIONI (PDS – RS. Pronuncia o seguinte discurso.) – Sr. Presidente, Srs. Deputados, no dia 19 deste mês, abril, o Grêmio Náutico União comemorou 75 anos de existência. Trata-se de uma das maiores agremiações do País, fundado que foi em 19 de abril de 1906, em Porto Alegre, Capital do Rio Grande do Sul, por seis garotos, alunos do atual Colégio Farropilha. O mais velho tinha 15 anos e o mais moço apenas 10. Eram Carlos Arnt, irmãos Arnaldo e Emílio Bercht, irmãos Arno, Hugo Deppermann e Hugo Berta. O primeiro Presidente tinha 14 anos.

O motivo que levou esses seis garotos a fundar um “clube de guris”, para a prática do remo, um entre centenas de clubezinhos análogos, de “pelada” de futebol, ping-pong, futebol de mesa, etc, encerrou um pioneirismo e um espírito de liderança. Ê que o remo, até poucos anos passados, era considerado esporte vedado para menores de 18 anos. Por isso os quatro clubes portoalegrenses de remo vedaram o ingresso àqueles garotos, os quais não tiveram outra alternativa senão fundar o seu próprio clubezinho. Pois bem, hoje, os mais adiantados clubes náuticos do mundo procuram dar início à prática, com finalidades competitivas, já aos doze anos de idade.

Somente em 1911, pela iniciativa dos moços, o Presidente Arnt, já com 19 anos, obteve a personalidade jurídica para dar ao clube a condição de filiado da então liga Náutica Rio-grandense.

Do seio desse “clube de guris” saiu a iniciativa da primeira monografia sobre técnica de remo, em 1925, intitulado “A Escola Unionista”. As vitórias no âmbito estadual somente surgiram em 1930, com a construção da segunda sede.

O Grêmio Náutico União foi a primeira associação esportiva a construir no Rio Grande do Sul e no Sul do País a primeira piscina olímpica, a primeira piscina térmica, a primeira piscina exclusiva para saltos ornamentais, um ginásio coberto para basquete, voleibol e ginástica olímpica, todas entre as décadas 50 e 60.

Foi também o primeiro clube do Brasil a incluir em seu Conselho Deliberativo associados do sexo feminino, isto há mais de 30 anos.

Hoje tem três sedes, razão pela qual é conhecido como “o Clube das três sedes”; a náutica, na Ilha do Pavão; a central, no bairro Moinhos de Vento, e a terceira, mais recente, no bairro Alto Petrópolis, que tem por base o Tênis, tendo construído, nos primeiros 20 anos, 15 quadras, o que constitui o maior parque tenístico do Sul do País.

A matrícula é de 9.500 associados, que, com seus familiares, foram uma comunidade de 41.000 associados.

O União é um dos clubes que mais atletas têm fornecido para as delegações nacionais. Seus atletas já defenderam o Brasil em dezenas de campeonatos sul-americanos, em jogos pan-americanos, de Chicago, São Paulo em que teve 14 atletas seus em mais de seis modalidades esportivas diferentes: Cáli e Porto Rico; em vários certames mundiais, principalmente em Remo, Natação, Ginástica, Voleibol, Basquete e Esgrima; e em olimpíadas: em Roma, Tóquio, México, Munique e Montreal.

Foi do União a iniciativa, junto à CBD, de criar os troféus “Brasil” de Remo, Natação e Saltos Ornamentais, por ação de seu então Presidente Carlos B. Hofmeister Fº, na década de 60. E em 1970, esse clube singular obteve a façanha de ser tríplice coroado nas taças “Brasil”, em remo, ginástica e esgrima, além de terceiro lugar na de natação.

A sede Náutica da Ilha do Pavão, que era toda de madeira, incendiou-se há dois anos e meio, reduzindo também a cinzas a segunda maior e melhor flotilha náutica do Brasil. Agora, com 90% de recursos próprios, está construindo outra, mais sólida, ampla e confortável, já considerada a maior e melhor do Brasil e, seguramente, uma das melhores do mundo.

Os feitos, as glórias, a liderança e o pioneirismo do União e dos unionistas se confundem com as do próprio desporto gaúcho.

Seus atuais mandatários principais:
Presidente: Economista Anton Karl Biedermann
Patrono: Sr. Archimimo Magnus de Souza
Presidente do Conselho Deliberativo: Economista Lóris José Isatto
Presidente da Comissão de Comemoração dos 75 anos: Dr. Carlos Hofmeister Fº

Para assinalar a efeméride dos 75 anos de existência do Grêmio Náutico, foi organizado um intenso programa, que se está desenvolvendo durante todo este mês, sob a presidência do Dr. Carlos Hofmeister Fº.

Considerando a origem do Grêmio Náutico União e o seu expressivo desenvolvimento, assemelhado ao crescimento da semente da mostarda de que nos fala a “Bíblia”, e considerando ainda a alta representatividade social, cultural e desportiva da entidade, creio, Sr. Presidente, Srs. Deputados, vale registrar a efeméride nos Anais desta Casa, enviando à Direção e aos Associados as nossas congratulações pelos grandes feitos realizados durante tão fecundos período de existência. Parabenizar, ainda, a Direção do Grêmio Náutico pelas conquistas representadas nas inaugurações de obras e melhoramentos que estilo sendo entregues aos associados e à comunidade de Porto Alegre, ao ensejo das comemorações dos 75 anos de sua existência.

“Mens sana in corpore sano”, bem diz o provérbio latino. O Grêmio Náutico União, durante 75 anos, contribuiu para a formação sadia da juventude rio-grandense brasileira.

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